O leilão fantasma das transportadoras de carga
Quando o preço vira leilão, a logística vira risco.


Há algum tempo, nós da Transpark acompanhamos de perto a evolução das plataformas digitais de frete. Testamos e analisamos diversas soluções do mercado, como Fretebras, Fretefy, Lalamove, entre outras. O que antes causava surpresa, hoje causa preocupação. Vivemos um momento extremamente delicado para os transportadores, profissionais que exercem uma atividade essencial, arriscada e estratégica para a economia, mas que vêm sendo empurrados para um cenário de desvalorização contínua.
Esse enfraquecimento do mercado não acontece por acaso. Ele é resultado de pequenas práticas que, somadas, criam um efeito devastador. A pouca ou quase nenhuma utilização da tabela de frete da ANTT abre espaço para que aplicativos e sites permitam a publicação de valores irreais. São ofertas que atraem transportadores em busca de cargas de complemento, mas que, na prática, ocupam um baú inteiro e não cobrem sequer os custos operacionais básicos.
A lógica é simples e perigosa. Exibe-se o menor valor possível para chamar atenção e, a partir disso, inicia-se um verdadeiro leilão silencioso. Nesse processo, captam-se cadastros de transportadores desesperados ou despreparados, que muitas vezes não percebem que aquele frete não sustenta manutenção, renovação de frota, impostos, combustível, pedágio e muito menos margem de crescimento ao longo dos anos. Forma-se, assim, um banco de dados alimentado por preços fantasmas e por uma cultura predatória que transforma a profissão em algo cada vez mais insustentável.
É importante deixar claro que existe respeito por todas as plataformas e sistemas que desenvolvem soluções para aproximar clientes e transportadoras. Muitas delas, inclusive, já entenderam que esse modelo de concorrência baseada apenas em preço mínimo não se sustenta no médio e longo prazo e vêm ajustando suas práticas. Ainda assim, a pergunta permanece. Até quando esse ciclo de desvalorização vai continuar sendo alimentado?
Aqui em Recife, nós da Transpark, especialistas em fretes de carga partindo de Recife para qualquer região do país, temos uma preocupação diária em construir orçamentos justos e sustentáveis. Isso significa pensar em toda a cadeia. Motoristas bem remunerados, valores corretos para agregados, salários de colaboradores, custos operacionais, manutenção constante e planejamento para renovação de frota.
No fim das contas, quem aceita pagar muito abaixo do valor justo também perde. Um serviço desvalorizado gera veículos sem manutenção adequada, atrasos frequentes e imprevisibilidade nas entregas. O chamado leilão fantasma de cargas não fragiliza apenas o transportador. Ele compromete toda a operação logística e, inevitavelmente, impacta o próprio cliente que busca economia imediata sem enxergar o custo real no futuro.
Sustentabilidade no transporte não é sobre pagar mais. É sobre pagar o justo para garantir continuidade, segurança e qualidade.


